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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Assuntos Espinhosos: Religião



Semana passada, li uma notícia tuitada pelo Estadão que me fez rir. O Papa iria começar a usar o Twitter para atrair os jovens à missa (LINK). Achei divertido por duas razões: Josef Ratiznger, o Papa Bento XVI, sempre foi tido como conservador em suas posições teológicas: lugar de mulher não é rezando missa, método anti-concepcional só a tabelinha, padre tem de ser celibatário. Posições não exatamente interessantes aos jovens, mas vá lá, o sujeito é autêntico. Ah, e queria também a volta das missas em latim. Bento XVI é poliglota, pianista e doutor Honoris Causa em várias universidades conceituadas, mas é sabidamente ortodoxo. Que o diga Leonardo Boff e sua Teologia da Libertação. A segunda razão foi imaginar como o Papa captaria a atenção dos jovens. Lady Gaga chama seus seguidores de "monstros". Como Bento XVI chamaria os seus? Minhas ovelhinhas? E aí, rebanho? Fiquei me divertindo imaginando seus Tweets: "Quaresma começando, todo mundo jejuando. Não seja ovelha negra, faça parte do rebanho". Quem sabe um em latim? "Miris sermone in Paschatis. Omnes in ecclesia!" (Sermão incrível de Páscoa. Todos à igreja! e  viva o Google Translator). Mas juro que fui bem comedida. Fiz um pequeno comentário a respeito - algo sobre missas em 140 caracteres. Resultado: tomei umas cacetadas de alguns cristãos que se ofenderam com a minha piada. Bem feito para eu aprender que religião não se discute e nem pode ser assunto de chacota. Principalmente junto aos mais fervorosos. E isso vale para todas as religiões.Em alguns casos, as cacetadas são mais que metafóricas. Podem chegar a ser letais.
Se a falta de senso de humor incomoda, muito mais o patrulhamento religioso. A liberdade de credo é matéria constitucional. Assim como a liberdade de descrer ou não crer. Mas muitos dos que creem querem interferem na vida daqueles que não. Lembro-me de um caso de um julgamento que corria no Supremo Tribunal Federal sobre o aborto de fetos anencéfalos: um dos juízes pediu vistas ou algo do gênero por questões de foro religioso. Não dá. O Estado Brasileiro é laico e assim devem ser os seus poderes constituídos. Questões de foro íntimo, como a religião, não podem entrar na análise. Tem de ser a letra fria da lei.  
Rick Santorum
E o que me assustou hoje lendo uma matéria sobre os candidatos republicanos nos Estados Unidos é que a maior democracia do ocidente tenha postulantes à presidência que questionem a laicidade do Estado! Mas sim, há. O Senador Rick Santorum afirmou em um programa de televisão que não acredita em uma América na qual exista uma separação absoluta entre igreja e Estado (mais AQUI). Isso que ele já disse coisas ruins também sobre métodos anti-concepcionais. É contra (LINK).
É um retrocesso. Uma calamidade. Dois dos candidatos brigam para saber quem é mais religioso, mais conservador. Sinal que representam uma considerável parcela do eleitorado.
Não entendo. Por que essa sanha fanática? Por que tentar impingir aos demais suas crenças? Sim, todos temos direito à expressão e liberdade de opinião e isso deveria ser o ideal. Há os que sejam  contra métodos anti-concepcionais? Tudo bem, mas permitam aos que não sejam usá-los. Com que cara um sujeito desses vai criticar países que impedem as mulheres de dirigir? Os clérigos deles também trazem à tona argumentos religiosos. Nesses países, por sinal, não há separação Estado-Igreja.
Me parece que sempre que esses fanatismos afloram, os resultados tendem a ser muito ruins: perseguições às minorias, preconceitos. Fogueiras. Quando não há espaço para a liberdade de expressão e respeito às diferentes opiniões, perde-se a razão e, com ela, os limites.

Allan de Botton

Não sou anti-religiosa. A religião traz benefícios a muitos: conforto, serenidade, como defende Allan de Botton em seu livro: Religião para Ateus (AQUI e AQUI). Pretendo ler e refletir a respeito. Dica de um amigo. Acho a ideia válida e respeito os religiosos. Mas, por favor, respeito também pelas ideias daqueles que divergem. Não sou anti-religiosa, mas quero ter o direito de não crer sem levar pedradas.      

4 comentários:

  1. Ou pedradas virtuais rsrsrs

    Boa noite Bella!

    Maridão ateu e euzinha Espírita, nos damos super bem, as vezes brinco com ele, é o ateu mais cristão que conheço, educamos nossos filhos através de valores e bons princípios, deixamos a possibilidade deles descobrirem o seu caminho, não somente no quesito religião,e sim na vida, com a base fortalecida eles saberão fazer suas escolhas...

    Excelente reflexão!

    Beijooooooooooo

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  2. Acho que o respeito tem que ser uma via de mão dupla. Muitas coisas da Igreja Católica me indignam muito, mas muitas vezes eu me calo em respeito a pessoas sinceras que lá estão. Acho que é por aí.

    BeijoZzz

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  3. Não tenho nada contra qualquer religião , mas religioso fanático, esses me irritam até na minha própria religião. E os hipócritas religiosos também em dão nos nervos, fazem tudo errado e depois vão rezar e se sente salvos. Faça-me o favor!

    Beijocas

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  4. Gosto de sentir Deus...e senti-o aqui ao ler um texto
    raciocinado sobre crenças e fé.

    Beijo

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